segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Novo polo textil é realidade


A nova indústria de Pernambuco começa a ganhar forma. Depois do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), a PetroquímicaSuape (PQS) será o segundo grande empreendimento a entrar em operação e turbinar a economia do Estado. Com investimento de R$ 6 bilhões da Petrobras, o complexo químico-têxtil é formado por três indústrias.

A primeira a funcionar será a unidade de produção de PTA (matéria-prima usada na fabricação de PET e poliéster), que inicia produção no próximo mês, no Complexo de Suape. Com o empreendimento, a indústria têxtil do Estado ganha nova roupagem e entra na era do poliéster. Durante a fase de construção, a PQS teve um pico de 12 mil empregos e terá 1.800 funcionários quando entrar em plena atividade.

Todo ano, o Brasil desembolsa US$ 1 bilhão na importação de produtos petroquímicos da cadeia do poliéster. São matérias-primas importadas, principalmente, do mercado asiático e do México.

"A decisão de implantar um complexo químico-têxtil em Pernambuco tem como objetivo estruturar uma cadeia integrada de poliéster para substituir a importação de insumos com padrão internacional de competitividade, rentabilidade e responsabilidade socioambiental", diz a diretoria da PQS. Quando estiver em plena operação, o complexo será o mais importante polo integrado de poliéster da América Latina.

Pernambuco entrou no mapa da indústria do PET em 2007, com o início da operação da fábrica do grupo italiano Mossi & Ghisolfi (M&G), em Suape. A companhia instalou no Estado a maior fábrica de resinas PET do mundo, mas a indústria é apenas um elo da cadeia produtiva. A empresa ainda depende da importação do PTA do México e de outros produtos químicos. Com a entrada em funcionamento da PetroquímicaSuape, o PTA passará a ter produção doméstica.

O PTA é uma espécie de pó branco, que passa por um processo químico para se transformar em polímero. Depois vira produtos que fazem parte do nosso cotidiano, como fios para indústria têxtil e PET para embalagens de refrigerantes, por exemplo.

A fábrica de Suape terá capacidade para produzir 700 mil toneladas de PTA por ano. Parte da matéria-prima será fornecida à M&G e o restante poderá ser ofertado no mercado nacional ou para exportação, mudando o sinal da balança comercial brasileira para o produto.

Até o final do primeiro semestre de 2013 deverão entrar em operação as fábricas de resina PET e de filamentos têxteis (POY). Polo cronograma inicial, as unidades já deveriam estar em funcionamento, mas uma série de entraves atrasou o start, principalmente as constantes greves de operários nos canteiros de obras, que chamaram a atenção do Brasil para Suape.

A indústria de resinas PET será concorrente da M&G, fabricando matéria-prima para a produção de embalagens PET, como garrafas. As indústrias de alimentos, bebidas e cosméticos são os principais clientes do setor.

A terceira fábrica do complexo químico-têxtil é a unidade de polímeros têxteis. Essa vai fazer frente aos chineses, líderes no mercado de poliéster vendendo sua produção mundo afora. A planta terá capacidade para fabricar 240 mil toneladas de fios por ano. A unidade entrou em fase de testes desde 2010 e já faz comercialização dos produtos. Os fios podem ser utilizados na fabricação de roupas e outros têxteis, além de servir como matéria-prima na produção de cintos de segurança, cordas, carpetes e outros.

A unidade de polímeros de poliéster terá 64 máquinas de texturização. Esse maquinário é responsável por transformar o POY (fio preliminar que parece com um náilon bem fino), num fio amaciado que será usado pelas tecelagens e outras indústrias. As máquinas foram importados do Japão e custam cerca de US$ 1 milhão cada uma.

Fonte Jornal do Commercio