sábado, 19 de janeiro de 2013

Suape projeta ao menos quadruplicar a movimentação de cargas para 2016


Nos últimos anos, o Brasil tem crescido a passos largos e impulsionado o PIB nacional, apesar da projeção deste ano apontar apenas 2% de expansão. Mesmo assim, os principais polos comerciais, industriais e de serviços continuam em alta na visão dos investidores e viram reflexos do avanço no País. O Complexo Industrial Portuário Governador Eraldo Gueiros, mais conhecido como Suape (Fone: 81 3527.5000), situado no município de Ipojuca, PE, é um exemplo destes centros concentradores de investimento que puxam a economia. Há bastante tempo, o porto tem alavancado o desenvolvimento de Pernambuco e feito não só o Estado ou a região Nordeste crescer, mas o Brasil inteiro.

Considerado uma das maiores joias nordestinas, a ‘coleção de feitos’ de Suape ao longo do tempo não é pequena. Em menos de dois anos, a revista The New Economy Magazine e entidades como o Ilos – Instituto de Logística e Supply Chain (Fone: 21 3445.3000) já reconheceram Suape como o espaço de melhor infraestrutura em porto público do Brasil. Atualmente, há mais de 100 empresas em operação dentro e nos arredores do porto, responsáveis por mais de 25 mil empregos diretos. Outras 50 empresas estão em fase de implantação no local e, quando estiverem totalmente instaladas no complexo, Suape deve absorver mais 15 mil novos empregos. Entre os temporários, somente na construção civil são 40 mil novos postos de trabalho para instalação de indústrias de produtos químicos, navais, petrolíferas, metalmecânicas, fabricantes de equipamentos para aproveitamento de energia eólica e empresas de logística que chegam ao porto.

Localizado estrategicamente na “ponta” da costa brasileira, o porto serve de apoio a diversos tipos de empresas, como as de petróleo e gás que atuam no mercado internacional, por exemplo. Com águas de 15 a 20 metros de profundidade, Suape fica em uma região privilegiada, entre três importantes centros petrolíferos do Oceano Atlântico: Sul-Sudeste do Brasil, Golfo do México e Leste da África. A conexão do complexo é feita com mais de 160 portos do mundo, incluindo nove dias de distância para Roterdã, na Holanda, e sete para a Costa Leste dos Estados Unidos. O porto holandês, por sinal, é o grande inspirador do complexo pernambucano. O coordenador de Desenvolvimento e Negócios de Suape, Leonardo Cerquinho, entende que essa posição traz grande vantagem ao porto.

“Suape pode ser um complexo concentrador de cargas para o Brasil nos próximos anos. Estamos próximos da Europa, da África e da América do Norte, e é mais fácil chegar aqui do que em Santos, SP, por exemplo. Hoje em dia, ser um porto de transbordo é vantajoso e nós queremos abrir esta disponibilidade para facilitar a logística e aumentar nossa área de atuação. Com o alargamento do Canal do Panamá, também teremos um ramal bem mais rápido com a Ásia”, explica Cerquinho.

Atualmente, Suape conta com 13.500 hectares de área útil, que abriga cinco berços, todos de 15,5 metros de profundidade. O Cais 1 é público, com 275 metros de extensão, seguido dos Cais 2 e 3, privados, que concentram a movimentação de contêineres e estão arrendados à empresa Tecon Suape (Fone: 81 3527.5200), subsidiária da International Container Terminal Inc. São 660 metros de cais com capacidade para movimentação de 600 mil contêineres/ano. Já os Cais 4 e 5, inaugurados em 2007 e 2009, respectivamente, possuem 330 metros de extensão cada. O primeiro movimenta carga geral e grãos e o segundo, açúcar a granel, além de também operar cargas gerais. Ainda há os Píeres de Granéis Líquidos 1 e 2 no Porto Externo, o CMU – Cais de Múltiplos Usos. Com esta organização, em 2011, o porto movimentou 11 milhões de toneladas de cargas, atingindo a sétima posição entre os maiores complexos portuários do Brasil. A projeção é movimentar 50 milhões de toneladas de cargas em 2016.

“Apesar de toda esta estrutura, nós pretendemos crescer muito além da estrutura atual. Até 2014 devemos ter mais quatro novos cais e mais que dobrar nossa capacidade para 30 milhões de toneladas de cargas movimentadas. Já em 2016, com todas as obras concluídas, devemos alcançar o patamar de 50 milhões de toneladas”, projeta o executivo do complexo portuário.

Afora isso, o porto conta com infraestrutura de ferrovias e 43 km de rodovias. Esta é, também, umas das áreas do complexo que mais recebem investimentos. Somente a Ferrovia Transnordestina, obra do governo federal que ligará o porto de Suape à cidade de Eliseu Martins, PI, e ao porto de Pecém, no município de São Gonçalo do Amarante, CE, está orçada em R$ 5,4 bilhões. Não apenas nos arredores do porto, mas dentro do complexo há grandes obras para atender o processo de expansão do governo pernambucano. Atualmente, Suape conta com fornecimento de gás natural, energia elétrica, água bruta e água tratada. Os investimentos recebidos estão fixados em US$ 1 bilhão em infraestrutura portuária e viária. Quatro novos terminais serão instalados: um para granéis sólidos, outro para açúcar, um novo para contêineres e um quarto para grãos.

Além disso, o porto passou a ser o berço da nova indústria naval brasileira. A previsão é que três estaleiros estejam funcionando em Suape em curto prazo. O Atlântico Sul, um dos maiores e mais modernos do hemisfério sul, já está em funcionamento, assim como o recém-inaugurado Promar (STX). Fora ele, o estaleiro CMO (McDermott) está em construção e ainda há espaço para outros, que estão em fase de negociações.

INVESTIMENTOS

Para cumprir a meta agressiva de aumento na movimentação de cargas em Suape, os investimentos têm sido frequentes, tanto em equipamentos e tecnologia, como em infraestrutura. O Arco Viário da Região Metropolitana do Recife (RMR), obra do governo de Pernambuco orçada em R$ 1,21 bilhão, é o projeto mais importante de todos, na opinião do coordenador de Desenvolvimento e Negócios de Suape.

“O Arco Metropolitano é, sem dúvida, a obra mais importante. Ele vai desafogar todo o trânsito de caminhões e carretas da rodovia BR-101 e trará benefícios a todas as cidades do Grande Recife, além do porto. Será uma via expressa pedagiada que funcionará como alternativa aos engarrafamentos do trecho urbano da BR”, exalta o executivo de Suape.

Já a rodovia Express Way, orçada em R$ 145 milhões, vai duplicar as vias internas de acesso ao porto. Outra obra prevista é uma área de descanso para os motoristas dos caminhões que movimentam as cargas do porto. O local será cobrado, mas tem a aprovação das próprias transportadoras, já que colabora para o cumprimento da Lei do Motorista. As obras viárias são muito bem vistas pela administração do porto, já que 70% da logística é feita através dos caminhões.

Não são apenas os investimentos públicos que fazem o complexo portuário crescer. Com uma política de incentivos fiscais, concedida pelo Governo do Estado de Pernambuco, Suape tem angariado vários tipos de investimentos. Hoje em dia, a entrada de recursos privados, sejam eles nacionais ou estrangeiros, é bastante frequente no porto. A previsão é que o montante investido ultrapasse a casa dos R$ 23 bilhões até 2014. Para seguir neste nível, o poder público mantém reduções de até 75% no IRPJ – Imposto de Renda para Pessoa Jurídica e no ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Existem, também, outros favorecimentos em menor escala nas esferas federal, estadual e municipal. Cerquinho ressalta que é essencial cada vez mais “criar condições para investimentos privados”.

RANKING DO ILOS

Em novembro último, o Ilos avaliou os 12 portos mais citados pelos profissionais da área de logística e divulgou o ranking dos complexos. A pesquisa colocou o porto de Suape na terceira posição, atrás apenas dos portos de São Francisco do Sul, SC, e Itaguaí, RJ, respectivamente.
Apesar de ter descido duas posições, a posição de Suape, que já liderou a lista da Ilos, não preocupa, de acordo com Cerquinho. Ele explica os motivos que levaram o complexo portuário pernambucano a deixar a liderança do ranking. “Caímos duas posições porque temos problemas de infraestrutura, como os gargalos de acesso ao porto. Infelizmente, todos os portos do Brasil estão abarrotados. Em contrapartida, é importante ressaltar que temos as soluções e elas já estão sendo executadas. Suape é o porto que mais cresceu no Brasil nos últimos anos e esse crescimento também traz desafios”, avalia o executivo. Ele classifica o terceiro lugar de Suape como momentâneo. “Seguramente voltaremos ao primeiro lugar. É só observar as obras que estão sendo feitas e os benefícios que elas trarão. O avanço de Suape é inevitável”, completa.
As palavras do coordenador de Desenvolvimento e Negócios sobre o crescimento do porto é reforçada pelas avaliações dos profissionais de logística. Somados todos os portos pesquisados, as notas médias subiram de 6,3, em 2007, para 7,3, em 2012, o que indica que não apenas Suape, mas a maioria dos complexos evoluiu.

Fonte: LogWeb