sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Encontro reúne prefeitos de cidades portuárias.




O encontro de cidades portuárias da Associação Brasileira de Municípios Portuários (ABMP) aconteceu nesta quinta-feira (31) em Santos, no litoral de São Paulo. O objetivo foi discutir uma medida provisória do governo que, se aprovada, pode mudar a vida de quem vive do porto.
O estivador Josué Sampaio nunca tinha entrado pela porta do Teatro Guarany, local onde aconteceu a reunião. Na tarde desta quinta-feira ele saiu do trabalho e foi direto, ainda de uniforme, acompanhado de colegas. No auditório encontrou outros trabalhadores avulsos do Ogmo que sustentam as famílias com o trabalho no porto, e temem ganhar menos. “Vai afetar muito, primeiro o ganho, acho que uns 50%”, diz Josué.

No teatro aconteceu o encontro de cidades portuárias da ABMP. Prefeitos de várias cidades do país estiveram no local para discutir a medida provisória 595, editada pela presidente Dilma Rousseff. A medida muda bastante o sistema portuário brasileiro, e incentiva a criação de novos terminais particulares e a contratação de mais mão-de-obra. Mas os novos terminais deixam de ser obrigados a contratar os trabalhadores do Ogmo.

Para entender melhor, o presidente do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Silva, compara com outra categoria de trabalhadores. “É como se um médico estivesse perdendo seu CRM. Ele é qualificado, tem registro, o cadastro, tem tempo de profissão e com isso vai abrir um leque maior. Para que outras pessoas venham adentrar o sistema portuário. O que por um lado nós não somos contra, desde que seja qualificado”, diz Rodnei.

A MP 595 é controversa, tanto que mais de 600 emendas já foram apresentadas. Mesmo assim, os prefeitos das cidades portuárias não estão satisfeitos. O prefeito de Santos Paulo Alexandre Barbosa foi eleito nesta manhã presidente da associação. Ele afirma que vai se encontrar com o governador Geraldo Alckmin nesta sexta-feira (1º), e pedir apoio para que ajustes sejam feitos e não prejudiquem a economia da cidade.“Estivemos com o ministro essa semana e propusemos a criação de uma agenda positiva, com a participação especialmente dos trabalhadores, para que o Governo Federal possa se sensibilizar e fazer essas alterações”, afirma o prefeito.

O prefeito de Itajaí Jandir Bellini lembrou que o desenvolvimento do porto catarinense se deu com diálogo com aqueles que vivem a realidade portuária, e não somente com empresários. É isso que eles querem que aconteça novamente antes que a nova medida seja aprovada. "É a união com o governo federal. Tem que ouvir os municípios, através da associação que representa esses 87 municípios brasileiros, para juntos buscar aquilo que é bom para toda a sociedade", diz o prefeito de Itajaí.

A Secretaria Especial de Portos vê a medida provisória como um avanço no setor portuário, que vai possibilitar um maior número de investimentos privados. Sobre a questão dos trabalhadores, segundo a Secretaria, tudo foi mantido.
Fonte: G1