segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Nigéria quer ajuda do Brasil para executar obras de infraestrutura



   Principal parceiro comercial brasileiro na África, a Nigéria quer a ajuda do Brasil para deixar de ser apenas um país produtor e exportador de produtos básicos. O governo brasileiro considera estratégico o aprofundamento dessas relações, e vê a ideia como uma oportunidade para equilibrar a balança comercial bilateral. O assunto foi debatido em Abuja, capital da Nigéria, durante a visita de comitiva 
liderada pela presidente Dilma Rousseff.

Dinheiro não é problema para a Nigéria, diferentemente do que ocorre com grande parte dos países africanos. O petróleo, que em 2012 proporcionou à Nigéria superávit de US$ 6,9 bilhões com o Brasil, garante recursos suficientes para executar obras de infraestrutura e outros investimentos.

"Eles [os nigerianos] estão atrás de uma coisa que nós também estamos. Nós queremos uma parceria em igualdade de condição, uma parceria que leve ao desenvolvimento e à melhoria de vida", disse Dilma, após reunir-se com o presidente nigeriano Goodluck Jonathan e assinar um acordo para que representantes de ambos os governos se reúnam a cada ano.

Em reunião com autoridades locais, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, ouviu que a Nigéria quer atrair investimentos na área de processamento de alimentos, refino de petróleo e energia elétrica, por exemplo. Os nigerianos disseram também que pretendem construir três centros industriais próximos a aeroportos do país, o que geraria oportunidades para construtoras brasileiras interessadas em executar projetos de melhoria da infraestrutura logística desses locais e instalação de fábricas. Pimentel disse a seus interlocutores que organizará uma missão de empresários e investidores a Abuja ainda neste ano.

A fragilidade do sistema elétrico nigeriano é um dos gargalos de infraestrutura enfrentados pelo país. Abuja convive com frequentes apagões. Segundo fontes do governo brasileiro, a Eletrobras avalia a possibilidade de participar da estruturação do sistema elétrico do país. O setor também pode render negócios às construtoras brasileiras, uma vez que o governo de Goodluck Jonathan quer aumentar a capacidade de geração e transmissão de eletricidade.

Empreiteiras brasileiras já prospectam novos negócios no país. A Andrade Gutierrez deve ser a primeira a abrir um escritório na Nigéria. "O potencial é enorme", disse ao Valor o diretor comercial da companhia, Amauri Pinha.

Outro segmento interessado em entrar no mercado nigeriano é o de exportação de frangos, hoje fechado aos fornecedores estrangeiros. O governo Dilma vê ainda oportunidades para os setores de calçados, têxteis e mineração.

Um dos riscos de atuação no mercado nigeriano é o que integrantes do governo brasileiro e empresários chamam de "práticas heterodoxas". Na Nigéria, como em vários países do continente, a corrupção é disseminada. Segundo empresários que atuam na região, a questão é cultural e muitas vezes não é uma prática para "destravar" negócios com o governo central. Frequentemente é uma forma de arrecadação usada por líderes locais, excluídos das instituições oficiais. A Nigéria, país mais populoso da África, conta com cerca de 250 etnias diferentes entre os seus 170 milhões de habitantes.
A sugestão de autoridades brasileiras é que os empresários fechem parcerias com companhias locais. 

"O empresário pode investir na Nigéria por meio de um joint venture por causa de algumas dificuldades do mercado nigeriano", recomenda o presidente da Associação Nigeriana de Câmaras de Comércio, Herbert Ademola Ajayi.

Fonte: Valor