segunda-feira, 15 de abril de 2013

Pernambuco tem potencial na área eólica.



Pernambuco tem um potencial instalado para a produção de 4 mil megawatts (MW) de energia eólica. É o que mostra o projeto Atlas Eólico de Pernambuco, desenvolvido pela consultoria energética Aerospacial. A primeira fase do estudo - que traz a compilação de dados a partir do mapeamento de todo o Estado, dividido em 32 mil áreas - será apresentada durante a segunda edição do PE Business Energias Renováveis, nos dias 17 e 18 deste mês. Com uma cadeia produtiva de equipamentos eólicos que conta com cerca de dez empresas, agora o Estado enxerga a perspectiva de atrair investidores para a instalação de parques eólicos.

Se o potencial energético eólico do Estado estivesse sendo aproveitado hoje, seria o equivalente a quase metade do consumo elétrico nordestino. Para se ter ideia do que a capacidade de geração eólica do Estado identificada pelo Atlas Eólico de Pernambuco representa, hoje o Nordeste tem um consumo, em média, de 8 mil MW, dos quais cerca de 6 mil MW são gerados pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). O MW mede a potência da energia, enquanto o MW médio indica o consumo.

O Atlas deve ser finalizado até agosto. A primeira fase, já concluída, fez um mapeamento do Estado, que foi dividido em 32 mil partes. A primeira etapa fez medições do vento em quatro níveis de altura das torres, entre 80 metros (m) e 140 m. Para que fosse possível identificar a viabilidade de parques eólicos, o estudo analisou dados como relevo, clima, a infraestrutura disponível para logística, redes de transmissão e até o índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do local. O Sertão pernambucano figura como a região com os ventos de maior potencial no Estado, mas outras áreas se mostraram promissoras, como a Zona da Mata Norte.

A diretora da Aerospacial, Caarem Studzinski, responsável pelo desenvolvimento do estudo, explica que o potencial de 4 mil MW referem-se a parques com 45% de capacidade de geração eólica. "Se os parâmetros de capacidade fossem reduzidos para 30%, a capacidade de geração de energia eólica em Pernambuco seria de 21 mil MW." Caarem Studzinski ressalta, entretanto, que esses parques não são classificados como de primeira linha.

Com um custo de R$ 300 mil, bancados pelos sócios da empresa na primeira fase, agora o governo do Estado deve entrar na tentativa de atrair recursos para a pesquisa. O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Márcio Stefanni, também destaca o potencial de geração de energia eólica no Nordeste. "A região concentra 78% dos parques eólicos brasileiros." O Estado já atrai investimentos para a cadeia eólica com incentivos fiscais e a oferta de infraestrutura do Complexo de Suape, que tem plantas industriais como a Impsa, produtora de aerogeradores e equipamentos para usinas hidrelétricas. 

"Pernambuco ainda compra pouco equipamento, mas nossa expectativa é que com os incentivos do governo e com os dados do Atlas, mais investidores venham instalar novos parques aqui", observa o gerente comercial da Impsa, Paulo Ferreira.


Fonte: JC