terça-feira, 27 de agosto de 2013

Navio Dragão lançado ao mar em Suape

Wagner Ramos/Arquivo/Folha

Foi lançado sexta-feira (23), em cerimônia fechada à Imprensa, o terceiro navio fabricado pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS, no Complexo de Suape) será lançado ao mar. Entra, agora, em fase de acabamento. O Dragão do Mar deve ser a primeira das embarcações produzidas no estaleiro pernambucano a cumprir prazos. Pode ser considerado um novo capítulo para o EAS e para a indústria naval no País, outro patamar dentro da curva de aprendizado do setor. A previsão da Transpetro é que o navio seja definitivamente entregue até o fim deste ano, assim que receber a certificação de classe, documento necessário para registro da embarcação junto ao Tribunal Marítimo brasileira.
O Dragão do Mar é exatamente igual aos seus antecessores - o João Cândido e o Zumbi dos Palmares -, um petroleiro tipo suezmax que será utilizado pela Transpetro, braço logístico da Petrobras, para transporte de óleo cru. Tem 274,20 metros de comprimento total e 51,6 metros de altura, 12 tanques e capacidade de transporte de 157,7 mil toneladas de porte bruto (TPB). Ele, por ora, põe o EAS nos trilhos porque não repete os atrasos dos dois primeiros, terá menor retrabalho e pode evitar também as multas.
A Transpetro esperou o João Cândido por quase dois anos, principalmente porque ele teve 40% de retrabalho, o que gerou uma multa de R$ 3,6 milhões. Os números melhoraram com o Zumbi: 23 dias de atraso e 12% de retrabalho; percentual que, no Dragão, não deve passar dos 3%, segundo disse o presidente da Transpetro, Sérgio Machado.
Esses navios fazem parte do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e tem entre os princípios priorizar o conteúdo nacional e a competitividade do Brasil no mercado. O Promef soma 49 navios, dos quais 30 serão construídos em Pernambuco, sendo 22 no EAS e oito (tipo gaseiro) no Vard Promar, também em operação em Suape. A encomenda ao EAS ainda tem um longo caminho: outros 20 navios e sete navios-sondas, estes para a Sete Brasil (empresa na qual a Petrobras tem 10% de participação), que devem entrar em operação em 2015, parte do programa de perfuração de longo prazo da Petrobras nos poços no pré-sal.
Machado disse, em outra ocasião, que várias etapas foram vencidas dentro do setor naval: primeiro, voltar a fabricar no Brasil. Depois, atingir 70% de nacionalização. O terceiro obstáculo, a curva de aprendizado, parece ser a próxima. “É a mais importante e o que nos tornará competitivos”, comentou, apostando que a consolidação do EAS deve acontecer em, no máximo, 15 anos.
Fonte: Folha PE