domingo, 27 de outubro de 2013

Estudos da ANP apontam primeiro indício de petróleo em Pernambuco.


Na semana em que o país voltou as atenções para o leilão do campo de Libra, a maior reserva de petróleo do Brasil, uma notícia pode atrair os olhares para Pernambuco. Estudos preliminares realizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), com sísmicas de cabos longos, indicam que a bacia Pernambuco-Paraíba possui grandes espessuras de sedimentos a cerca de sete mil metros de profundidade. 

Em distâncias como esta é que estão sendo realizadas as perfurações na camada pré-sal, que vai de cinco mil a sete mil metros de profundidade.Os estudos realizados na bacia pernambucana apontam grandes pacotes de sal com espessuras de até 1,5 mil metros e estruturas associadas. É o primeiro sinal que quebra os paradigmas de que não existia sal nesta região do país. Ainda não há como mensurar a quantidade do produto na região.

“Em 1982, a Petrobras, baseada nos dados da época, admitiu a existência de uma bacia estreita na região de Pernambuco. Seria uma bacia estreita, pouco profunda, então não existiria petróleo. Em 2013, os estudos e a tecnologia avançam e já se identifica a presença de blocos de sal, o que muda o entendimento sobre esta bacia”, afirmou o diretor técnico da Petra Energia, Lino Teixeira, durante o Pernambuco Petroleum Business, realizado no Centro de Convenções, em Olinda.
No primeiro semestre deste ano, a pernambucana Petra Energia arrematou o bloco da bacia de Pernambuco-Paraíba, que fica localizada na faixa de 60 a 75 quilômetros de distância da costa, saindo do Recife. O investimento mínimo em cinco anos estimado apenas para a exploração da área é de R$ 60 milhões. O projeto é tocado em parceria com a Queiroz Galvão Engenharia e a Nikko Resourcers e prevê a perfuração de dois poços exploratórios, sendo um com cada parceiro.
A previsão é de que a perfuração tenha início em 2019. Porém, o cronograma exploratório da Petra Energia pode ser antecipado. Isso porque o poço da Petrobras na bacia pode ser perfurado já em 2014. “Se eles anteciparem, a Petra pode antecipar o início da perfuração também para o ano que vem”, disse Teixeira. Pelo cronograma oficial, nos anos de 2014 e 2015 seriam realizados os estudos de geologia e física da área. Para isso, as empresas já deram entrada no processo de licenciamento ambiental. Em 2016, seria iniciada a aquisição sísmica da área em 3D, o que proporcionará uma análise aprofundada da região. Até o final de 2017 as empresas se dedicariam ao processamento e interpretação dos dados. Já em 2018 seria realizado o reprocessamento dos dados.
“Apenas após essas análises iniciaríamos a perfuração dos dois poços exploratórios”, explicou Teixeira. Caso seja encontrado petróleo na região, os benefícios para o estado são grandes. “Na base, destacamos as universidades, que terá mais alunos fazendo geologia. Além disso, teremos mais empresas de petróleo com escritórios locais, que demandarão equipes de geólogos e geofísicos”, ressaltou.
Fonte: Diário de Pernambuco